OJILOFAN : Oxalufan – Oxala – Oxagian
Oxalá é a divindade máxima das religiões de matriz africana no Brasil, como o Candomblé e a Umbanda. Ele personifica a paz, a sabedoria e a criação do mundo e dos seres humanos.
Aqui estão os pontos fundamentais para entender este Orixá:
1. Formas e Qualidades
Oxalá manifesta-se principalmente em duas fases distintas, representando o ciclo da vida:
- Oxaguiã: A versão jovem, um guerreiro branco que traz o progresso e a inovação. Seu símbolo é o pilão e a espada.
- Oxalufã: A versão anciã, sábia e calma. Caminha com o auxílio do Opaxorô (cajado de metal branco), que também simboliza a ligação entre a terra e o céu.
2. Símbolos e Culto
- Cor: O branco absoluto, simbolizando a pureza e a luz.
- Dia da semana: Sexta-feira (dia em que seus devotos tradicionalmente vestem branco).
- Saudação: “Êpa Babá!” (Salve o Pai!).
- Comida: O Ebô (milho branco cozido) e frutas sem espinhos. É o único Orixá que não aceita sacrifícios de animais ou bebidas alcoólicas em seus ritos.
3. Sincretismo e História
No Brasil, devido à perseguição religiosa no período colonial, Oxalá foi sincretizado com Jesus Cristo e com o Senhor do Bonfim (especialmente na Bahia). A famosa cerimônia das “Águas de Oxalá” celebra a purificação e o respeito à ancestralidade.
4. Filhos de Oxalá
Os filhos de Oxalá (especialmente de Oxalufã) costumam ser pessoas calmas, dignas e pacientes, com uma tendência natural à liderança espiritual ou moral. Já os de Oxaguiã são mais dinâmicos e combativos, lutando por justiça e mudanças.
Você gostaria de conhecer a lenda da prisão de Oxalá ou prefere entender as características detalhadas dos filhos de Oxaguiã?
A lenda da Prisão de Oxalá é uma das histórias mais emocionantes do Candomblé, pois explica a origem da cerimônia das Águas de Oxalá.
A Lenda da Prisão (Itan)
Oxalufã (o Oxalá ancião) decidiu visitar seu filho, Xangô, no reino de Oyó. Antes de partir, consultou o Oráculo de Ifá, que o avisou para não viajar, ou enfrentaria grandes sofrimentos. Teimoso, Oxalá decidiu ir assim mesmo, mas levou consigo três mudas de roupa branca.
No caminho, ele encontrou Exu três vezes. Exu, testando a paciência do mestre, sujou as roupas de Oxalá com dendê, carvão e vinho de palma. Sem reclamar, Oxalá trocou de roupa em todas as ocasiões e continuou sua jornada em silêncio.
Ao chegar perto do reino de Oyó, Oxalá avistou o cavalo de Xangô que havia fugido. Ao tentar ajudar o animal, os soldados de Xangô o confundiram com um ladrão. Como Oxalá estava sujo e não reagiu (devido ao seu voto de silêncio e paciência), ele foi preso injustamente por sete anos.
As Consequências e a Libertação
Durante esses sete anos, o reino de Xangô sofreu: a terra ficou estéril, as mulheres não engravidavam e as chuvas pararam. Xangô, desesperado, consultou um Babalaô que revelou que um ancião justo estava preso injustamente em suas masmorras.
Ao descobrir que era seu próprio pai, Xangô ordenou que todos no reino buscassem água fresca para lavar Oxalá e purificá-lo das ofensas sofridas. Por isso, anualmente, os terreiros realizam o ritual de carregar baldes de água em procissão silenciosa para lavar os símbolos de Oxalá.















